Miniaturk — toda a Turquia numa escala de 1::25, nas margens do Corno de Ouro
Na margem nordeste da baía do Corno de Ouro, no bairro de Sütlüce, em Istambul, esconde-se um parque surpreendente, onde, num só dia, é possível «percorrer» metade do país e dar uma espreitadela no seu passado. O Miniaturk é o maior parque de miniaturas do mundo em termos de área, inaugurado a 2 de maio de 2003 sob o lema «Pequena maquete de um grande país». Em 60 000 metros quadrados, encontram-se 135 maquetes de edifícios históricos e modernos da Turquia e das antigas terras otomanas, construídas à escala de 1::25. Aqui, a Hagia Sofia coexiste com o Mausoléu de Halicarnasso, os comboios circulam entre a Capadócia e a Ponte do Bósforo, e os barquinhos navegam por verdadeiras vias navegáveis. O Miniaturk transforma a «geografia dos livros escolares» abstrata num percurso vivo, em movimento e sonoro.
História e origem do Miniaturk
A ideia de criar uma «montra da Turquia» ao ar livre surgiu na viragem do século XXI, quando as autoridades municipais de Istambul procuravam uma forma de revitalizar antigas áreas industriais abandonadas ao longo do Corno de Ouro. A cerimónia de lançamento da primeira pedra teve lugar a 30 de junho de 2001; as obras duraram quase dois anos. O parque abriu ao público a 2 de maio de 2003 e recebeu imediatamente o estatuto de museu municipal, sob a gestão da Câmara Municipal de Istambul.
O local não foi escolhido por acaso. Sütlüce — um bairro que há muito vivia do comércio de peixe e de pequenas oficinas — precisava de uma nova identidade. A margem do Corno de Ouro, que historicamente ligava Istambul ao mar, transformou-se numa «eixo temporal» natural: aqui, junto à água, onde outrora se erguiam os armazéns otomanos, os criadores do parque decidiram reconstruir os três mil anos de história da Anatólia em miniatura.
A conceção do parque assentou em três princípios: a reconhecibilidade do monumento, a representatividade da época e a viabilidade técnica de construir a maquete. De acordo com estes critérios, foram selecionadas construções que refletem a arquitetura hitita, grega antiga, romana, bizantina, seljúcida, otomana e republicana. Cada modelo foi montado por uma equipa especial de engenheiros e artistas — daí a impressionante riqueza de detalhes: desde as telhas nos telhados até às entalhadas nas colunas.
No Miniaturk, foi introduzido pela primeira vez na Turquia um audioguia: junto a cada maquete encontra-se um posto informativo e, através de uma aplicação móvel, o visitante pode ouvir a narração numa das nove línguas disponíveis — turco, inglês, francês, alemão, espanhol, russo, árabe, farsi e japonês. Para o viajante de língua russa, isto é uma sorte rara: a maioria dos museus turcos não oferece serviços em russo.
Com o tempo, o parque cresceu: ao conjunto inicial de modelos foram adicionados novos objetos, abriram o Museu da Vitória e o Istambul de Cristal, criaram uma zona de recreação infantil e construíram uma ferrovia em miniatura. Hoje, o Miniaturk é um dos museus mais visitados de Istambul, especialmente popular entre as visitas escolares: os professores turcos trazem aqui as crianças para que conheçam o seu próprio país.
De certa forma, o Miniaturk desempenha o mesmo papel que outrora desempenhou na Rússia o «Grand-Maquet» em São Petersburgo e, nos Países Baixos, o Madurodam em Haia, para o qual, aliás, a Wikipédia turca aponta diretamente como fonte de inspiração. Mas enquanto os parques de miniaturas europeus se concentram geralmente na infraestrutura moderna, os turcos apostam num património cultural de três mil anos — desde as fortalezas hititas até aos edifícios bancários da República.
Arquitetura e o que ver
Dos 60 000 metros quadrados do parque, 15 000 são dedicados às maquetes propriamente ditas — este é o «coração» do Miniaturk. Outros 40 000 metros são ocupados por zonas abertas, alamedas e parques infantis, e 2 000 metros por lagos e canais, onde navegam pequenas balsas e cruzadores. O parque de estacionamento tem capacidade para 300 automóveis. O passeio em torno das maquetes está organizado como um percurso circular: o visitante desloca-se de Istambul para a Anatólia e, em seguida, para os monumentos «no estrangeiro» do antigo Império Otomano.
A parte de Istambul
Sessenta modelos são dedicados à própria Istambul, e é por aí que começa a visita. Aqui está representada quase toda a panorâmica típica da cidade: Santa Sofia, a Mesquita Azul, a Mesquita de Solimão, os palácios de Topkapi e Dolmabahçe, as torres da Virgem e de Galata, a igreja de Santa Irina, a mesquita de Eyüp Sultan, a fonte de Ahmed III e a fonte alemã, o sistema de abastecimento de água de Kırkçeşme. O Ponte do Bósforo e o Aeroporto Atatürk destacam-se como um bloco à parte. Um pormenor notável: as muralhas em miniatura de Constantinopla, com todos os portões e torres — a melhor forma de explicar a uma criança como era organizada a cintura defensiva da capital bizantina.
Secção da Anatólia
Sessenta e três (segundo outras fontes — 64) modelos representam a Turquia continental. Aqui estão reduzidos a tamanho de bolso conjuntos que normalmente exigiriam uma viagem por todo o país: o palácio de Ishak-paşa em Doğubeyazıt, o mausoléu de Mevlana em Konya, o mosteiro de Sumela na rocha perto de Trabzon, a biblioteca de Celsus e o teatro de Aspendos, as madrasas Karamanlı e Çifte Minareli em Erzurum, a Grande Mesquita de Divriği, a mesquita de Yashil em Bursa. Os fenómenos naturais também não foram esquecidos: nas proximidades «funcionam» Pamukkale, com as suas travertinas brancas, e as «chaminés de contos de fadas» da Capadócia, esculpidas em tufo miniatura.
As Sete Maravilhas e a secção «estrangeira»
Num recanto à parte encontram-se duas maravilhas da Antiguidade da Anatólia — o templo de Artemis de Éfeso e o mausoléu de Halicarnasso. Não existem nem em Éfeso nem em Bodrum (onde apenas restam vestígios das fundações), e o Miniaturk devolve-lhes, de facto, a aparência perdida. Treze modelos são dedicados a terras que outrora fizeram parte do Império Otomano: a ponte de Mostar, a fortaleza de Ejad em Meca, a Cúpula da Rocha em Jerusalém e a casa de Ataturk em Salónica. Trata-se de um gesto delicado de memória — sem declarações políticas, através da arquitetura.
Maquetes móveis e interativas
A principal diferença entre o Miniaturk e uma maquete «estática» é o movimento. Os comboios circulam por carris em miniatura, camiões e autocarros avançam lentamente pela autoestrada, o ferry «Topkapi» faz a ligação entre as margens «europeia» e «asiática» num grande lago, e os barquinhos são controlados remotamente a partir de um painel de comando. Em frente ao mini-estádio com capacidade para 53 000 espectadores, encontram-se quatro «adeptos» com bandeiras dos clubes «Galatasaray», «Fenerbahçe», «Beşiktaş» e «Trabzonspor»: atire uma moeda — no estádio acendem-se os holofotes, toca o hino do clube, a bandeira aparece no painel e os jogadores entram em campo. Este truque ingénuo funciona na perfeição: tanto os adultos como as crianças se riem.
Museus dentro do parque
No recinto encontram-se dois museus adicionais. O Museu da Vitória (Zafer Müzesi) — uma panorâmica da Guerra da Independência de 1919–1923: maquetes das frentes de batalha, exposição fotográfica com Ataturk, efeitos sonoros e luminosos recriam a atmosfera das batalhas de Sakarya e Dumlupınar. Istambul de Cristal (Kristal İstanbul) — coleção invulgar: silhuetas de edifícios históricos gravadas a laser no interior de cubos de vidro e iluminadas por dentro. Ao anoitecer, o efeito é particularmente impressionante.
Zona de entretenimento e percursos infantis
Para além das maquetes e dos museus, o Miniaturk foi conscientemente concebido como um espaço familiar. Aqui funciona a «Árvore dos Contos de Fadas» — uma estrutura móvel de atração que narra seis contos populares com as vozes de atores. Há um labirinto e um grande tabuleiro de xadrez para crianças, o simulador de voo Flyride com passeios «sobre a Turquia» e «sobre Istambul», bem como a «Casa ao contrário» (Ters Ev) — salas onde os móveis estão pregados ao teto e o visitante parece caminhar por um mundo invertido. O estúdio fotográfico otomano oferece fotografias instantâneas com trajes de sultão, vali ou odalisca: clichés turísticos, mas as crianças ficam encantadas e os pais ficam com uma lembrança pronta. Por fim, circula por todo o recinto um comboio turístico com vinte lugares: não é rápido, mas permite «desligar» e simplesmente observar as maquetes que passam — algo especialmente apreciável após uma hora e meia a pé.
Factos interessantes e lendas
- O Miniaturk é o primeiro museu da Turquia a dispor de um audioguia. Hoje em dia, é possível ouvir informações sobre cada maquete em nove idiomas, incluindo o russo — algo raro nos museus turcos.
- O lema do parque é «Büyük Ülkenin Küçük Bir Modeli» («Uma pequena maquete de um grande país»). Os autores optaram conscientemente por não se limitar às fronteiras atuais da Turquia e incluíram monumentos otomanos no estrangeiro, para recordar a diversidade da cultura herdada.
- Em frente ao mini-estádio encontra-se uma «atracção futebolística»: uma moeda inserida na ranhura adequada ativa o hino de um dos quatro clubes de Istambul, e minúsculos «jogadores» correm para o campo — até que a marcha termine. Os pais turcos voltam aqui há anos com novas moedas.
- Entre as miniaturas encontram-se o templo de Artemis de Éfeso e o Mausoléu de Halicarnasso, duas das «sete maravilhas do mundo» da Antiguidade. Na realidade, restam apenas fragmentos destes edifícios, e o Miniaturk reconstrói-os, na verdade, «tal como eram».
- No parque funcionam a «Casa ao Contrário» (Ters Ev), um labirinto, um tabuleiro de xadrez para crianças, o simulador de voo de helicóptero Flyride com efeitos de vento, chuva e neve, bem como o «Estúdio Fotográfico Otomano», onde é possível tirar uma fotografia com um traje do século XVII. Isto transforma o museu clássico numa verdadeira aventura familiar.
Como chegar
O Miniaturk fica na İmrahor Caddesi, Sütlüce, na margem nordeste do Corno de Ouro, no bairro de Beyoğlu. Coordenadas — 41,06° N, 28,948° E. Apesar da proximidade com o centro (cerca de 6 km de Sultanahmet), esta não é a zona mais turística de Istambul, e a logística requer um pouco de planeamento.
A opção mais conveniente é o ferry urbano pelo Corno de Ouro (Haliç Vapuru): a linha parte de Eminönü e Karaköy com paragem em Sütlüce — são cinco minutos a pé do cais até ao parque. Este percurso é, por si só, uma excelente mini-excursão com vistas para a Torre de Galata. A alternativa é o Metrobüs (linha Metrobüs até Halıcıoğlu) ou os autocarros urbanos 36CE, 47, 54HT a partir da Praça Taksim e de Eminönü. De táxi a partir de Sultanahmet — cerca de 20 minutos sem trânsito.
Do Aeroporto de Istambul (IST), apanhe o metro M11 até Kâğıthane e faça transbordo para o M7; o tempo total é de cerca de uma hora. A partir de Sabiha Gökçen (SAW), é mais conveniente apanhar o autocarro Havabus até Taksim e, a partir daí, o Metrobüs ou um táxi. Para quem viaja de carro, existe um parque de estacionamento vigiado ISPARK com 300 lugares junto à entrada.
Dicas para o viajante
O parque está aberto todo o ano, sem dias de folga, normalmente das 9 :00 às 19 :00 no verão e até às 17 :00–18 :00 no inverno; é melhor verificar o horário exato e os preços no site oficial um dia antes da visita. Reserve 2–3 horas para uma visita tranquila; com crianças e atrações, reserve meio dia. Os bilhetes incluem frequentemente acesso ao Istambul de Cristal e ao Museu da Vitória, o que é mais vantajoso do que comprá-los separadamente.
A melhor altura para visitar é no final da primavera (abril–maio) e no início do outono (setembro–outubro): clima ameno, canteiros floridos ao longo das maquetes e sem o calor abafado do verão. No verão, venha logo à abertura ou depois das 16:00: na área ao ar livre, o calor é mais intenso do que nos museus com ar condicionado. Quando chove, parte das atrações funciona, mas perde-se o efeito de «passeio»; no inverno, num dia claro, o parque é especialmente fotogénico com os modelos nevados da Capadócia como pano de fundo.
Leve calçado confortável (o percurso total a pé é de cerca de 2 quilómetros), água, chapéu e protetor solar. Para as crianças, leve trocos — a atração «futebol» e os barcos de brincar aceitam moedas. Descarregue antecipadamente a aplicação móvel Miniatürk e traga auscultadores: o audioguia em russo é muito mais informativo do que as breves legendas nos painéis informativos. Tenha em atenção que no recinto há uma cafetaria e um restaurante, mas muitos preferem combinar a visita com um almoço no restaurante de peixe vizinho, junto ao cais de Sütlüce — lá servem hamsi fresco e anchovas do Corno de Ouro.
Para o viajante de língua russa, o Miniatürk é ótimo tanto como destino independente, como «overture» para uma grande viagem pela Turquia: em poucas horas, fica com uma imagem visual de tudo aquilo que o leva a visitar a Capadócia, Éfeso, Pamukkale, Konya ou Nemrut. É uma boa ideia visitar o parque no primeiro dia da viagem, para que depois, diante do verdadeiro Sumela ou da Hagia Sofia, possa reconhecê-los pela silhueta já familiar.